Gestão da Qualidade no laboratório clínico: como estruturar processos

Leitura: 4 minutos

Gestão da Qualidade no laboratório clínico aplicada à rotina

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Introdução: por que a Gestão da Qualidade ainda falha na prática

A Gestão da Qualidade no laboratório é um dos temas mais discutidos em laboratórios clínicos. Ainda assim, continua sendo um dos mais mal compreendidos na prática.

Em muitos cenários, quando a qualidade é tratada apenas como documentação ou preparo para auditorias, o sistema se torna pesado, reativo e difícil de sustentar. Como consequência, surgem retrabalho, insegurança nas decisões e falhas recorrentes no Controle Interno e Externo da Qualidade.

Diante disso, este guia foi criado para mostrar como estruturar a Gestão da Qualidade de forma prática, conectando normas, ferramentas e processos ao dia a dia do laboratório clínico.


O que é Gestão da Qualidade no laboratório

De forma objetiva, Gestão da Qualidade é o conjunto de processos, controles e decisões que garantem resultados confiáveis, rastreáveis e consistentes ao longo do tempo.

Na prática, porém, a qualidade não se limita à documentação. Na verdade, ela está diretamente ligada à forma como o laboratório opera diariamente.

Elementos que compõem a Gestão da Qualidade na prática

  • ✔️ Processos padronizados e aplicáveis

  • ✔️ Gestão de riscos integrada à rotina

  • ✔️ Monitoramento contínuo de indicadores

  • ✔️ Registros que refletem a prática real

  • ✔️ Melhoria contínua baseada em dados

Quando esses elementos não conversam entre si, a qualidade deixa de ser preventiva e passa a atuar apenas após o problema acontecer.


Qualidade não é auditoria: é rotina

Um erro comum na Gestão da Qualidade no laboratório é associar qualidade exclusivamente à auditoria. No entanto, as normas atuais exigem sistemas mantidos continuamente, e não ajustados apenas em momentos pontuais.

Nesse contexto, é importante reforçar que auditorias não criam problemas. Elas apenas revelam fragilidades que já existem na rotina.

Boas práticas de um sistema de qualidade funcional

  • ✔️ Evidências geradas naturalmente pelo processo

  • ✔️ Registros feitos no momento da execução

  • ✔️ Decisões documentadas e justificadas

  • ✔️ Indicadores analisados de forma recorrente

Quando a rotina está organizada, a auditoria deixa de ser uma ameaça e passa a ser apenas uma consequência do sistema funcionando.


Certificação e acreditação: entender essa diferença evita erros estratégicos

Embora os termos sejam frequentemente usados como sinônimos, certificação e acreditação possuem objetivos e impactos distintos na gestão do laboratório.

A certificação corresponde ao reconhecimento formal de que um sistema de gestão, processo ou produto atende a uma norma técnica específica, geralmente de caráter genérico.

Já a acreditação é o reconhecimento formal de que um laboratório clínico atende a padrões técnicos, assistenciais e gerenciais específicos do seu segmento. Nesse caso, o foco está na qualidade analítica, na segurança do paciente, na confiabilidade dos resultados e na gestão de riscos.

No contexto dos laboratórios de análises clínicas, a acreditação avalia não apenas a existência de procedimentos documentados, mas principalmente a prática real do laboratório. Isso inclui todas as fases do processo laboratorial: pré-analítica, analítica e pós-analítica.

O que a acreditação exige na prática

  • ✔️ Maior controle sobre processos críticos

  • ✔️ Gestão de riscos estruturada e integrada à rotina

  • ✔️ Controle Interno da Qualidade consistente e contínuo

  • ✔️ Tratamento de não conformidades com acompanhamento da eficácia das ações


Ferramentas da qualidade que realmente funcionam

Ferramentas da qualidade só geram valor quando ajudam a entender processos e apoiar decisões. Caso contrário, o uso isolado ou apenas documental não sustenta a qualidade.

Diagrama de Ishikawa

Essa ferramenta é indicada para identificar, organizar e analisar as causas de problemas já identificados. Para ser eficaz, deve resultar em ações corretivas claras, e não apenas em registros formais.

Histograma

O histograma permite visualizar a variação dos dados e compreender o comportamento do processo. Por isso, deve ser sempre acompanhado de análise crítica.

Seis Sigma

O Seis Sigma ajuda a avaliar a capacidade do processo e reduzir variabilidade. Em geral, funciona melhor quando integrado à rotina, e não utilizado apenas como cálculo pontual.

FMEA de processos

O FMEA é uma ferramenta preventiva voltada à antecipação de riscos. Para gerar resultado, exige processos bem definidos, revisão periódica e ações concretas a partir dos riscos identificados.


Normas aplicáveis à gestão da qualidade em laboratórios clínicos

No contexto dos laboratórios clínicos, as normas de qualidade têm papel direto na organização da rotina, no controle de riscos e na confiabilidade dos resultados.

ISO 15189

Essa norma reforça a necessidade de:

  • ✔️ Gestão de riscos integrada

  • ✔️ Rastreabilidade de processos e resultados

  • ✔️ Evidências baseadas em dados

  • ✔️ Competência técnica contínua

O foco, portanto, está no controle real do processo laboratorial, e não apenas na documentação.

ISO 45003

A ISO 45003 amplia o olhar sobre a qualidade ao tratar de riscos psicossociais no ambiente de trabalho. Entre eles estão sobrecarga operacional e falhas de comunicação, fatores que impactam diretamente a confiabilidade dos processos e dos resultados laboratoriais.

NBR 14500

Por sua vez, a NBR 14500 fortalece a padronização e o controle da qualidade em laboratórios clínicos, aproximando o sistema de gestão da prática operacional.


Controle Interno da Qualidade no laboratório clínico: onde a maioria erra

Um erro recorrente no Controle Interno da Qualidade é o uso isolado de regras de controle, sem análise de contexto, histórico ou tendência do processo.

Além disso, em muitos casos, o CIQ acaba sendo aplicado de forma padronizada, sem considerar as particularidades de cada analito, método ou equipamento.

Outras falhas comuns incluem:

  • ✔️ Uso das mesmas regras para analitos com comportamentos diferentes

  • ✔️ Ausência de médias próprias por dificuldade operacional

  • ✔️ Falta de acompanhamento sistemático do desempenho ao longo do tempo

Um CIQ eficiente:

  • ✔️ Combina regras de forma inteligente

  • ✔️ Analisa o comportamento real do processo

  • ✔️ Avalia tendências e desvios ao longo do tempo

  • ✔️ Registra decisões, ações e justificativas

  • ✔️ Monitora a eficácia das ações adotadas

  • ✔️ Atua de forma preventiva, e não apenas reativa

Em resumo, controle de qualidade não é marcar certo ou errado. Ou seja, é entender o processo antes que ele falhe.


Controle de documentos externos: um ponto simples que reprova

As normas exigem que documentos externos sejam:

  • ✔️ Identificados

  • ✔️ Atualizados

  • ✔️ Controlados

  • ✔️ Acessíveis

Apesar disso, falhas comuns incluem versões desatualizadas, armazenamento descentralizado e ausência de revisão periódica. Por esse motivo, esse é um dos pontos mais simples de resolver e, ainda assim, um dos mais frequentes em não conformidades.


Qualidade como sistema, não como planilha

Laboratórios com sistemas de qualidade maduros compartilham características claras:

  • ✔️ Processos bem definidos

  • ✔️ Registros consistentes

  • ✔️ Indicadores acompanhados regularmente

  • ✔️ Decisões baseadas em dados

Nesses casos, a qualidade deixa de ser um peso e passa a ser parte natural da rotina.


Conclusão: o que sustenta a Gestão da Qualidade no longo prazo

Gestão da Qualidade não é excesso de controle nem produção de documentos sem propósito. Acima de tudo, é clareza de processos, organização da rotina e constância.

Quando a qualidade é bem estruturada, o laboratório:

  • ✔️ Reduz riscos

  • ✔️ Ganha previsibilidade

  • ✔️ Evita retrabalho

  • ✔️ Fortalece a confiança nos resultados

Esse é o tipo de sistema que se sustenta no tempo e constrói credibilidade real.

Para entender como a tecnologia pode apoiar a estruturação da qualidade na prática, conheça a plataforma do Acredite.se.

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